Se tivesse que destacar alguma coisa de positivo seria a ligação HDMI-in e o facto de a consola, pelo menos, parecer tão poderosa quanto a PlayStation 4: processador com 8 cores, 8GB de RAM(a diferença entre GDDR3 e GDDR5 é praticamente negligenciável) e ambas prontas para o cloud gaming. Com estes specs espera-se que os exclusivos continuem a ser tecnicamente equilibrados e que os multiplataformas não tenham que ceder por causa de uma ou outra plataforma como aconteceu com alguns títulos na PlayStation 3. Tal como aconteceu com a PlayStation 4, cloud gaming parece ser um dos grandes focos da Xbox One. No entanto, ao passo que a Sony se focou na "retrocompatibilidade" através do Gaikai, os planos da Microsoft parecem ser mais ambiciosos, procurando usar o cloud gaming para "aumentar" o poder da sua consola. A concretizar-se esta visão, a Xbox One pode muito bem ser a ultima consola que precisam de comprar na vida.
"Achei o design da consola bastante apelativos e o novo comando parece uma boa evolução do actual, o qual já é bastante bom."
Achei o design da consola bastante apelativos e o novo comando parece uma boa evolução do actual, o qual já é bastante bom. O novo Kinect também parece ser tudo aquilo que o actual prometeu e não cumpriu. Se funcionar realmente, pode ser desta que o acessório conquiste o público hardcore.
O novo Kinect é impressionante, sendo capaz de medir até os batimentos cardíacos de quem se encontra na sala mas tanta precisão já começa a levantar suspeitas de violação de privacidade.
O mau
Passar demasiado tempo em frente à televisão:
A televisão foi o foco principal da apresentação da Xbox One. O que foi mostrado parece-me interessante para o mercado norte-americano mas completamente irrelevante para os europeus. Por estes lados o interesse por desportos norte-americanos não é grande o suficiente por isso passamos completamente ao lado de boa parte do que foi apresentado. Pode ser que no futuro a Microsoft revele os seus planos para o mercado europeu(futebol?) mas, ainda assim, não tenho a certeza se o público da sua actual consola estará assim tão interessado em ver televisão nela. Mais uma vez, desconheço os planos da Microsoft mas se esperam que a nova geração atinja mil milhões de consolas vendidas, talvez tenham na calha parcerias com operadores de televisão por cabo em que a Xbox One substitua as actuais boxes. A Vodafone Portugal chegou a disponibilizar uma Xbox 360 Elite que servia como box mas muito poucas foram as pessoas que utilizaram o serviço. Será que desta vez vai ser diferente?
Falta de retrocompatibilidade:
Este assunto passa ao lado de muita gente mas confesso que me chateia bastante. Foi esta a razão porque não comprei uma PlayStation 3 e que me tira grande parte do incentivo de comprar a Xbox One. Acredito que não estou sozinho: as consolas com retrocompatibilidade são sempre as mais vendidas da sua geração. A desculpa é a do costume: a arquitectura é demasiado diferente da consola actual. Estou mesmo à espera que na prática isto vá resultar em ports e colectâneas Full HD(1080p) de alguns jogos actuais, obrigando-nos a gastar mais dinheiro para jogar o que já temos.
O que realmente me entristece é que a retrocompatibilidade se estende ao (bastante bom) catálogo actual do Xbox Live Arcade no qual eu e tantos outros jogadores investiram. Só Minecraft vendeu 6 milhões de unidades mas quem o quiser continuar a jogar na próxima geração vai ter de manter a sua Xbox 360. A Sony também anunciou que isto se iria acontecer com os jogos PSN e eu continuo sem entender tal posição.
Desde que saiu que Minecraft tem sido o jogo mais vendido e mais jogado do Xbox Live Arcade. Se são fãs do jogo não vendam a vossa Xbox 360 porque vai ser a única forma de o jogarem na One.
Instalações obrigatórias:
Este é um assunto a que os jogadores de PlayStation 3 se habituaram mas que passa ao lado de quem tem uma Xbox 360, onde a instalação é facultativa(melhora os tempos de carregamento e não gasta tanto o laser da consola). Na nova Xbox One isso vai deixar de acontecer e todos os jogos terão que ser obrigatoriamente instalados no disco. Parece que vamos poder jogar enquanto o disco é instalado mas com o blu-ray como suporte adoptado, parece-me que não vai demorar muito até o disco de 500GB que vem com a consola ficar cheio. É preciso contar também com jogos digitais, gravações da tão publicitada TV e um sistema operativo que parece ocupar um espaço valente. Referi que o disco rígido não pode ser substituído? Pois.
Ligação online:
Os rumores da obrigatoriedade de uma constante ligação da Xbox One à internet já faziam correr tinta largos meses antes da revelação da consola. A Microsoft nunca se prestou a negá-los e chegou mesmo a passar por um triste episódio de relações públicas no Twitter que resultou no despedimento de um dos seus directores criativos. Durante a apresentação da Xbox One, a empresa voltou a evitar tocar no assunto e foi só no seu rescaldo que, finalmente, admitiu aos jornalistas mais insistentes que a Xbox One iria requerer uma ligação à internet pelo menos uma vez por dia.
A banda larga em Seattle tem de ser fenomenal para a Microsoft achar isto uma boa ideia. Em Fevereiro a empresa revelou que já existem 46M de contas Xbox Live. Sabem quantas 360 foram vendidas? 77M, o que significa que 31M dos fãs da actual Xbox 360 não têm como ou não querem ligar-se á internet. Além de alienar estes milhões de actuais fãs, afasta também potenciais consumidores que vivam em zonas onde a ligação é muito lenta ou inexistente. Eu vivo no centro de Lisboa e tenho problemas de ligação todas as semanas por isso só imagino o que passarão em zonas onde a ligação por fibra não tenha chegado.
Mesmo com uma boa ligação à internet, o que acontecerá se a nossa consola não se conseguir ligar dentro das 24 horas exigidas? Deixamos de poder jogar? Não se sabe. A Microsoft parece não ter aprendido nada com o recente fiasco que foi o último Sim City e que deixou honestos compradores do jogo de mãos a abanar e sem poderem usufruir do produto que compraram. Sempre que ligo a minha Xbox 360 ligo-a à internet mas tal deve ficar ao critério de cada consumidor em vez de se tornar uma obrigatoriedade.
Jogos usados
Apesar de tudo o que já vimos, este é O assunto da Xbox One, aquele que tem o poder de mudar esta indústria para sempre. Também se falava nele há meses e a Microsoft sempre se furtou a comentar o que quer que fosse durante a apresentação da Xbox One. Quem cala consente não pode ser uma máxima pela qual se reja o PR de uma empresa. Rapidamente a internet pegou em tochas e forcados, decidida a boicotar a consola e a própria Microsoft.
Ainda não se conhecem os detalhes mas parece certo que quem quiser jogar usados na sua Xbox One terá mesmo que pagar uma taxa. O argumento dos usados sempre me fez espécie e de há uns anos para cá parece ser o bode expiatório da indústria, "pior do que a pirataria".
Nunca ouvi uma editora de livros ou uma marca de automóveis achar que deve receber duplamente- quando vende o seu produto e quando quem o comprou o vende- mas a indústria dos videojogos sempre se sentiu à vontade para exigir aquilo que os outros nem sequer pensaram ter legitimidade de pedir. Não apoio esta forma de DRM e acredito mesmo que, a serem verdadeiros os rumores, as suas consequências podem ser desastrosas para toda a indústria.
As consequências disto podem ditar o fim das já fragilizadas lojas físicas, dependentes da venda de usados para se sustentarem, e dessa instituição tão antiga quanto os próprios jogos que é emprestar e trocar jogos com amigos.
Jogos Indie
Outro ponto que não consigo entender é a impossibilidade de estúdios independentes publicarem os seus próprios jogos na Xbox One sem recorrerem a uma editora. O Xbox Live Arcade foi construído graças a jogos como Braid, Limbo, Super Meat Boy, FEZ ou Minecraft, todos eles jogos independentes. Além de não me parecer honesto, evitar que indies publiquem livremente no Xbox Live é uma falta e respeito para com a história do serviço. Don Mattrick assegurou que a Microsoft vai oferecer algum apoio a produtores independentes mas não clarificou a do questão da publicação(aquela que paga as contas a quem cria o jogo).
Como serão as coisas na E3?
A E3 deste ano promete ser a mais "agressiva" de que há memória com as 3 grandes a precisar necessariamente de mostrar o melhor que têm para convencer os consumidores a comprarem a sua consola.
Apesar de Wii U já se encontrar no mercado, a corrida ainda mal começou. A Nintendo promete mostrar um novo Mario, Mario Kart, Super Smash Brothers e, provavelmente, Zelda, um lineup avassalador que tem potencial para dominar vendas no próximo natal e abafar as suas concorrentes mais poderosas.
Ainda não sei as armas que a Sony trará para a E3 mas acho seguro contar com novos IPs, como costuma fazer com cada nova consola.
A Microsoft mostrou muitos poucos jogos para a Xbox One, prometendo que esses ficariam reservados para a E3, com 15 novos jogos para apresentar, 8 dos quais novos IPs, e um investimento de mil milhões de dólares para o futuro. A empresa está empenhada em "matar a Sony na E3" mas primeiro precisa de ressuscitar a confiança dos actuais fãs da Xbox.
Mais do que jogos, a Microsoft precisa de nos mostrar claramente o que tem planeado em relação aos jogos usados e à ligação à internet. Só clarificando as coisas e, porventura, dando uns passos atrás no que disse até agora é que a Microsoft vai conseguir convencer os consumidores que a Xbox One tem mais para oferecer do que serviços que já existem em qualquer Smart TV ou box de televisão no mercado.
Via: Eurogamer
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